terça-feira, 26 de abril de 2011

Diga não ao papel higiênico: Limpe a bunda com livros!

Estou iniciando aqui esta belíssima campanha cultural em prol de uma finalidade mais digna para o acervo literário e didático de nosso país. Chega de tentativas e incentivos.
Todos sabemos que o brasileiro não gosta de ler, e/ou de fato, não lê mesmo.
Qual seria então a utilidade a ser empregada ao extenso arquivo bibliotecário nacional para a maioria esmagadora de nossa população? Ora, me parece óbvio.
Concordo que alguns de nós até sentiriam falta de alguns tesouros e clássicos inestimáveis, mas vejam só estes dados antes de protestar:
A média de leitura do nosso país é de 4,7 livros por habitante/ano, sendo que, dessa média, apenas 1,3 livros per capita são lidos fora da escola. Ou seja, o brasileiro que não é um estudante ativo lê uma média de um livro por ano! UM LIVROOOOOOO (E eu aposto que tem muito Crepúsculo e auto-ajuda neste meio de campo)! Nestes mesmos dados, observamos ainda que mais de 77 MILHÕES de brasileiros nem sequer ENCOSTARAM num único livro nos últimos três meses. Sabe-se lá Deus qual a porcentagem de pessoas associadas a bibliotecas públicas no país e quantos de nós sentiriam sua falta, caso as de nossas cidades fossem implodidas amanhã.
Alguns meses atrás fui procurar um livro do formidável poeta Gibran Khalil Gibran e pude notar que seu livro "Areia e Espuma" não era emprestado da biblioteca de Mairiporã, meu lar, desde 1989. Mais de 20 anos!
Dá aqui que eu limpo a bunda com ele, pô!
Vejo os ambientalistas se debatendo e discutindo formas de preservar a natureza, e observo aqui um nicho ainda inexplorado. Imagine só quantas árvores seriam salvas? Imagine a quantidade de papel disponível estocado Brasil afora, praticamente nunca utilizado, nunca tocado, nunca lido, nunca apreciado... Que triste.

Creio que este é o momento de uma tomada de decisão! De uma grande virada!
Vamos juntos então! Rumo a um meio ambiente limpo! Uma bunda limpa! E uma mente suja e vazia!

Declaro encerrada esta merda de campanha.

Melhor Idade Penal

Nos dias de hoje muito se comenta a respeito de soluções e medidas, que diminuam a violência e criminalidade em geral. Dentre as mais diversas opções, sempre vem a tona aquela história de alterar a maioridade penal.
Atualmente no Brasil, são consideradas "menores de idade" perante a lei todas as pessoas com idade inferior a dezoito anos. Daí surgem as sugestões a respeito da alteração deste número e, dentre as mais discutidas, a redução da maioridade penal para a idade de dezesseis anos tem sido muito popular. Devemos refletir se esta seria mesmo a solução.
Certa vez pude assistir a um discurso do já falecido professor, político e cardiologista (tido por muitos como louco) Dr. Enéas Carneiro afirmando, quanto a questão da discriminalização do aborto, que seria o mesmo que "instalar um problema para resolver outro". Creio que o mesmo conceito se aplica aqui.
É fato que muitas pessoas tiram proveito da margem de idade para cometer os mais diversos delitos e escapar quase que impunimente. Também é fato que as "escolas do crime" estão recrutando seus "alunos" cada dia mais cedo mas, é justamente na escola real o lugar onde encontraríamos a solução verdadeira e definitiva.
É preciso analisar a média de escolaridade destes menores infratores, sua renda familiar, inúmeros fatores.
Alterar a maioridade penal seria uma medida urgente e imediatista que, a curto prazo, com certeza surtiria algum efeito. Mas é um curativo sobre uma hemorragia.
A questão é muito mais estrutural do que etária. Com o investimento correto e a devida atenção aos problemas e deficiências dos mais novos, formaremos novas gerações de cidadãos ao invés de jovens presidiários.


- Esta redação me rendeu nota máxima na aula de LPT I, hehe.

A Dialética da Lagartixa-Cebola

Estava eu a tomar banho num dia quente destes de Abril quando, não mais do que de repente, avistei no forro de madeira de meu banheiro uma destas lagartixas antigravitacionais, que perambulam por aí de cabeça pra baixo, desafiando a física moderna e todo o nosso bom humor familiar.
Porém, notei que esta peça em particular possuía um andar um pouco mais cadenciado, maroto, cheio de malícia e despudor. Logo notei que se tratava de uma Lagartixa-Cebola, e pude então com clareza observar: "Porra, já está locassa a esta hora?" - A noite acabara de chegar.
Ela então caiu. De repente desabou. No meio da roupa suja, entre minhas peças íntimas e alguns pedaços de papel higiênico molhado ainda puro, daqueles que a gente deixa a mercê da água de modo acidental.
Vendo tal cena, fiquei deprimido e me aproximei. Deixei o banho de lado e fui observá-la ali, se debatendo, ainda que lenta e de maneira patética, mas lutando pra sair daquela enrascada em que a própria havia se armadilhado.
Pensei: "Oras, mas vejam que situação." - Fiquei embaraçado pela mesma, me senti mal. Uma lagartixa claramente embriagada me expondo a vergonha alheia e irrompendo a tranquilidade aparente de meu bem estar aquático. Onde já se viu?
Podia esmagá-la ali mesmo entre as roupas e toalhas a serem lavadas, ou então utilizar a porta sanfonada do banheiro para extingui-la de maneira ainda mais rápida, cruel e apertada.
Mas recuei, preferi não interferir. É óbvio que não sou adepto a violência contra os seres, não importando a quantidade de alcóol ingerida por eles, e nem mesmo suas classes e ordens no reino natural.
Voltei ao chuveiro e por um instante desviei meus pensamentos daquela situação paradigmática.
Foi tempo suficiente para que o pequeno réptil tomasse tenência e desaparecesse de minha vista sem deixar maiores provas de que um dia ali se arrastou.
Quão grande foi minha surpresa! Dentro daquela merdinha de ser ainda restava energia vital para pregar-me peças! Oras! Sumiu mesmo!

Restou-me apenas em memória aquela imagem frágil, ébria e enigmática.

Tão subto quanto apareceu, o bichinho então desapareceu.
E é bem provável que em algum lugar perto dali, facilmente se fudeu.